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Presidente do Ciesp observa que a perda de ritmo do setor nos últimos quatro meses de 2025 (IBGE), resulta da persistência dos juros muito elevados, dos agravantes históricos do “Custo Brasil” e de um conjunto de medidas adotadas no período pelo governo.

04/02/2026 - Para Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a perda de ritmo do setor nos últimos quatro meses de 2025, anunciada pelo IBGE nesta terça-feira (03/02), resulta da persistência dos juros muito elevados, dos agravantes históricos do “Custo Brasil” e de um conjunto de medidas adotadas no período pelo governo. “Todos esses fatores pesaram de modo direto sobre nossa atividade”, afirmou.

A produção industrial fechou 2025 com crescimento de apenas 0,6%. Apesar de marcar o terceiro ano consecutivo de expansão — após alta de 3,1% em 2024 e de 0,1% em 2023 —, o resultado escancara a desaceleração. Até junho, o setor acumulava avanço de 1,2% frente ao mesmo período do ano anterior. No segundo semestre, a variação foi nula. Mas, entre setembro e dezembro, houve recuo de 1,9%.

Não é coincidência essa perda de ritmo. O setor já vinha operando sob forte pressão de juros muito elevados, que encarecem o crédito, travam investimentos e comprimem o consumo. Quando isso se soma a impostos altos, insegurança jurídica, custos trabalhistas crescentes e à valorização do câmbio, o ambiente torna-se francamente adverso para quem produz”, ponderou Cervone.

Segundo o presidente do Ciesp, medidas aprovadas no fim do ano aprofundaram o problema. Dentre as iniciativas mais nocivas está a Lei Complementar nº 128/2025, que inaugurou um equívoco conceitual ao tratar o lucro presumido como benefício fiscal. Na prática, a lei promove uma elevação direta da tributação nesse regime, ao aumentar o percentual de presunção para empresas com receita anual acima de R$ 5 milhões.

Quase metade do ônus adicional criado por essa lei recai sobre a indústria. Trata-se de uma alternativa inaceitável, sobretudo diante do papel estratégico do setor na economia brasileira”, salientou Cervone.

A situação agravou-se com o aumento da tributação dos Juros sobre Capital Próprio (JCP), cuja alíquota passou a 17,5%. Segundo levantamento da CNI, essa mudança elevará em cerca de R$ 1 bilhão a carga tributária do setor, reduzindo diretamente sua capacidade de investir.

Também preocupante foi a entrada em vigor da Lei nº 15.270/2025, que aumentou impostos, ao taxar lucros e dividendos. O mais grave é que, conforme confirmado pela Receita Federal, estabeleceu-se tributação de 10% sobre a base de cálculo do Simples Nacional. É um golpe duro contra os pequenos empreendedores, inclusive da indústria”, frisou o presidente do Ciesp.

Cervone observou que esse conjunto de fatores acaba anulando parte dos efeitos positivos de políticas públicas como a Nova Indústria Brasil (NIB) e os mecanismos de depreciação acelerada. “São iniciativas importantes, mas perdem potência quando o ambiente macroeconômico e regulatório caminha na direção oposta”.

Para o presidente do Ciesp, a perda de dinamismo no fim de 2025 acende um alerta para 2026.

A indústria é o setor que mais agrega valor, irradia efeitos por todas as cadeias produtivas, gera empregos de qualidade, tecnologia e inovação. Se perde ritmo, a economia como um todo sente. Precisamos de um ambiente mais favorável ao investimento, com juros menores e menos entraves estruturais. A retomada do crescimento passa necessariamente por um chão de fábrica forte”, enfatizou Rafael Cervone.