O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) formalizou, nesta semana, sua adesão ao "Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil", assinado conjuntamente por 112 entidades representativas de diversos setores produtivos do país, como a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e CNI (Confederação Nacional da Indústria). O documento destaca que, embora o debate sobre a redução da jornada 6x1 seja legítimo e relevante para a saúde e a qualidade de vida do trabalhador, qualquer alteração deve ser fundamentada em critérios que garantam a competitividade econômica e evitem a precarização dos vínculos empregatícios.
Para o setor produtivo, o emprego formal é um ativo social indispensável que precisa ser preservado. O manifesto utiliza dados consolidados de 2025 para reforçar essa importância: enquanto o IBGE apontou 38,9 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado, o Ministério do Trabalho (Novo Caged) registrou um estoque de 48,45 milhões de vínculos celetistas em dezembro do último ano. Esse contingente formal, segundo as entidades, deve ser o foco central de qualquer mudança estrutural.
Equilíbrio entre Qualidade de Vida e Economia
O Ciesp e as demais entidades signatárias enfatizam que modernizar a jornada não implica em uma escolha excludente entre o bem-estar do colaborador e a saúde da atividade econômica.
O objetivo é construir um caminho em que o trabalhador possa viver melhor sem que o emprego formal se torne mais escasso ou instável", destaca o texto do manifesto.
A preocupação das instituições reside na forma de implementação. Uma mudança que não considere as particularidades setoriais pode agravar a escassez de mão de obra qualificada, um entrave que já afeta a retenção de talentos em diversas empresas.
Desafios na Indústria
No setor industrial, a questão da qualificação é ainda mais sensível. O Mapa do Trabalho Industrial 2025–2027, elaborado pelo Senai/CNI, projeta a necessidade de qualificar cerca de 14 milhões de brasileiros no período. Com volumes expressivos de vagas abertas e dificuldades no preenchimento de postos especializados, o Ciesp defende que a discussão sobre a jornada de trabalho deve estar intrinsicamente ligada a ganhos de produtividade e ao fortalecimento do mercado de trabalho formal.
As 112 entidades, que subscrevem o manifesto, reforçam que o diálogo equilibrado é a única via para assegurar que a modernização da jornada resulte em progresso social real e sustentável para o Brasil.