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‘Se o governo está disposto a abrir mão da arrecadação [para produtos estrangeiros], que o faça também para a indústria nacional’, disse presidente do Ciesp durante BFShow; entidade defende isonomia na cobrança de impostos no país.

O presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Rafael Cervone, participou da abertura da 6ª edição da BFShow nesta segunda (18/05). A feira, organizada pela Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), em parceria com a NürnbergMesse Brasil, é o principal encontro da indústria calçadista nacional e a maior plataforma de negócios do setor na América Latina.

Durante o seu discurso, Cervone fez fortes críticas ao fim da chamada “taxa das blusinhas”, que havia restabelecido a cobrança de 20% de imposto de importação sobre remessas internacionais de até 50 dólares para pessoas físicas. Anteriormente, a taxa era de 60%. Na presença de Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o presidente do Ciesp cobrou a colaboração do Governo Federal e lembrou que, ao contrário do que o nome sugere, a ‘taxa das blusinhas’ também envolve outros 120 setores, como pneus, autopeças, borracha.

Isso é uma afronta à sociedade, à indústria e ao varejo. Como vamos ter isonomia se hoje a indústria brasileira paga 60% de impostos? Quero lembrar que hoje 81% do que se vende no varejo brasileiro está abaixo de 50 dólares. Isso destrói a cadeia de produção inteira”, afirmou.

Além de entrar com um processo de inconstitucionalidade contra a medida provisória que zerou o imposto de importação, Cervone também informou participar de articulações pelo encaminhamento de emendas pedindo isonomia, com zero imposto também para a indústria nacional. Agora em maio, o deputado Marcos Pereira (Republicanos) apresentou um conjunto de emendas à MP 1.357/2026 para zerar o PIS/Cofins do vestuário nacional e endurecer a fiscalização dos importados. As propostas ainda não foram aprovadas e tramitam na Comissão Mista do Congresso.

Segundo Cervone, a competição com países, como a China, já era desleal, porque beneficia os produtos importados em detrimento do mercado nacioal, com um impacto nefasto para a sociedade e para o próprio governo.

Se o governo está disposto a abrir mão da arrecadação [para produtos estrangeiros], que o faça também para a indústria nacional”, disse Cervone.

Fim da escala 6x1
Outro tópico levantado pelo presidente do Ciesp, durante o seu discurso, foi o fim da escala 6x1. Cervone demonstrou preocupação com o debate que considera superficial sobre o tema, sem medir os impactos econômicos e sociais e com narrativas enganosas para a população, que certamente, segundo ele, poderá sofrer impactos negativos. Ele afirma estar aberto para debater as mudanças no futuro, desde que não seja em um ano eleitoral, como 2026, e de forma que considere as especificidades para não repetir os mesmos erros cometidos pelo Chile, em 2024.

Mais do que tudo, nós queremos discutir essas questões, só não queremos fazê-la em ano eleitoral. E é 6x1 com 40 horas, nós estamos discutindo jornada e escala ao mesmo tempo. O Chile fez isso em 2024, sabe o que gerou? Desemprego e informalidade. Informalidade é a maior concorrência desleal que podemos ter”, argumentou Cervone.

O presidente do Ciesp defendeu que as negociações coletivas são o caminho para acordos positivos para ambas as partes, alertando que o projeto de lei pode acabar enfraquecendo os sindicatos, visto que uma vez que haja uma lei estabelecida, isso elimina a possibilidade de negociações coletivas, como demandam as situações tão complexas, com tantas especificidades.

Relatório Indústria de Calçados
Ainda durante a abertura da BFShow, o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, promoveu o lançamento do relatório Indústria de Calçados, conteúdo construído em conjunto com o setor e que se propõe a trazer um panorama abrangente da atividade calçadista no país.

O relatório, que pode ser acessado no site da Abicalçados (link), apresenta indicadores sobre produção, mercado interno, exportações, além das projeções para o ano de 2026. Os dados evidenciam a relevância econômica e social da indústria calçadista brasileira, que é a maior produtora de calçados do ocidente e o 5º principal setor empregador da indústria de transformação no Brasil, empregando de forma direta mais de 270 mil pessoas.

A indústria calçadista brasileira é um setor presente em centenas de municípios, impulsionando o desenvolvimento regional, gerando oportunidade para milhares de brasileiros. A BFShow mostra exatamente isso, um setor forte, moderno, inovador e preparado para seguir crescendo. Uma força que traduz não apenas nesta feira, mas também nos indicadores que revelam a importância econômica e social da indústria calçadista nacional”, disse Haroldo.